A altura e a pauta de cinco linhas — claves, linhas e espaços, sustenidos, bemóis, armaduras e enarmonia, com exemplos de notação interativos.
1.1 Altura (ou “Quão agudo é esse som?”)
Os humanos faziam música muito antes de os lápis serem inventados. Durante séculos, a música viveu no ar: ensinada por cantarola, aprendida por escuta e executada por músicos que confiavam nos seus ouvidos. Embora muitas tradições ainda sobrevivam «de ouvido», escrever música provou ser um superpoder. Porquê? Porque o que se escreve pode ser estudado, partilhado e tocado exatamente da forma que o compositor imaginou.
Com o tempo, um método ganhou o concurso de popularidade mundial: um conjunto de linhas chamado pauta (ou pentagrama). É o sistema de autoestradas da partitura — e as suas notas são os carros.
A Pauta (a autoestrada das notas com cinco faixas)
Uma pauta (ou pentagrama) é formada por cinco linhas horizontais e paralelas. As notas situam-se nas linhas ou nos espaços entre elas. Se uma nota for demasiado aguda ou grave, construímos pequenas pontes chamadas linhas suplementares.
Para manter o ritmo, adicionamos barras de compasso verticais que dividem o caminho em segmentos chamados compassos. As barras duplas marcam o fim das secções, e uma barra dupla grossa significa que a música terminou.
Dica profissional: A altura determina quão agudo ou grave soa uma nota. A pauta é apenas uma forma ordenada de desenhar essas alturas.
Veja na Pauta (Interativo)
Aqui está uma pauta única com uma clave de sol (vermelho), uma armadura de três sustenidos (magenta) (olá Lá maior / Fá♯ menor), um compasso de 4/4 (azul) e quatro compassos: uma nota no espaço (Lá4), uma na linha (Ré5), uma a subir em linhas suplementares (Dó6) e um compasso de silêncio (verde).
Passe o cursor sobre os elementos da pauta para saber mais.
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Leitura de linhas e espaços
Ler na clave de sol é mais fácil com regras mnemónicas:
Linhas (de baixo para cima): Mi – Sol – Si – Ré – Fá (em inglês: «Every Good Boy Does Fine»)
Espaços (de baixo para cima): Fá – Lá – Dó – Mi (formando a palavra inglesa «FACE»)
Exemplo de linhas (Mi–Sol–Si–Ré–Fá)
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Exemplo de espaços (Fá–Lá–Dó–Mi)
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As notas leem-se da esquerda para a direita. Diga a frase ou palavra em voz alta para gravar na memória.
Experimente a regra mnemónica
Clique numa letra para destacar a nota correspondente na pauta e construir a frase palavra por palavra.
MiSolSiRéFá
FáLáDóMi
Escolha uma letra para começar.
Guia rápido dos elementos da pauta
A pauta tem cinco linhas horizontais e quatro espaços. As notas colocam-se numa linha ou num espaço. Se uma nota vai mais além, pequenas linhas de ajuda chamadas linhas suplementares mostram o quão acima ou abaixo está.
As linhas divisórias verticais dividem a música em compassos. Ao início da pauta verá três elementos chave: a clave (define a altura), a armadura (sustenidos/bemóis automáticos) e a fórmula de compasso (como contar os tempos). As barras duplas terminam as secções e uma barra dupla grossa finaliza a peça.
A música escrita consiste em notas (sons) e pausas. Muitos outros símbolos indicam o andamento (velocidade), a dinâmica (volume forte/suave), sinais de repetição e articulações como os acentos.
Grupos de pautas: A música lê-se da esquerda para a direita, de cima para baixo, uma pauta de cada vez — a menos que as pautas estejam unidas para se tocarem juntas (como as duas mãos no piano, unidas por uma chave ou chaveta).
Passe o cursor sobre o diagrama para identificar cada elemento.
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Clave Armadura Compasso Notas & pausas
As claves: Sol, Fá e as outras
O primeiro símbolo na pauta é a clave. Indica qual nota (de Lá a Sol) pertence a cada linha e espaço. Na clave de sol, a espiral envolve a segunda linha de baixo — que é o Sol. Na clave de fá, os dois pontos encerram a quarta linha (segunda de cima) — que é o Fá. A partir daí as notas movem-se em ordem alfabética.
Aprender uma clave significa memorizar onde vivem as notas. Muitos alunos memorizam as linhas e os espaços separadamente com frases simples. Se as fórmulas clássicas não ajudarem, invente uma divertida.
Claves móveis (Clave de Dó)
Além de sol e fá, às vezes verá a clave de Dó. É móvel: a linha na qual se centra o símbolo indica o Dó central (Dó4). Isto permite escrever partes médias sem usar demasiadas linhas suplementares.
Clave de sol octavada (8va Bassa)
É comum ver uma clave de sol com um pequeno «8» abaixo. Significa «lê na clave de sol, mas soa uma oitava abaixo». É muito útil para a voz de tenor.
Por que claves diferentes? A música é mais fácil de ler quando a maioria das notas cabe nas cinco linhas. As claves oferecem um ponto de referência cómodo (Sol, Fá ou Dó) para evitar um excesso de linhas suplementares.
Juntas, a clave de sol (Sol acima do Dó central) e a clave de fá (Fá abaixo do Dó central) cobrem grande parte do registo de vozes e instrumentos.
Galeria de claves
Clique numa clave para ver qual nota de referência ela estabelece na pauta.
Escolha uma clave acima.
Altura: Sustenido, Bemol e Bequadro*
A altura determina quão agudo ou grave soa uma nota. Fisicamente depende da frequência da onda sonora. Os músicos usam as letras (ou nomes das notas) — Lá, Si, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol. Estas sete notas naturais correspondem às teclas brancas do piano.
As notas naturais correspondem às teclas brancas de um teclado.
A música ocidental usa doze sons por oitava. Como chamamos às outras cinco notas — as teclas negras ?
Usamos o sustenido (♯), o bemol (♭) e o bequadro (♮). Podem estar na armadura de clave ou diante de uma única nota.
Um sustenido eleva a nota um semitom. Um bemol baixa-a um semitom. Como a maioria das teclas brancas dista um tom inteiro, as notas intermédias tomam o nome de sustenido ou bemol.
Uma mesma nota pode ter dois nomes (ex. Sol♯ e Lá♭ soam igual). Fala-se de notas enarmónicas.
Sol♯ e Lá♭ soam igual. Mi♯ e Fá soam igual.
As alterações podem ser de armadura (no início da pauta) ou acidentais (diante das notas para mudá-las temporariamente).
Se há um ♯ no Dó na armadura, todos os Dó tornam-se Dó♯, a menos que haja um bequadro.
Uma nota pode ser também duplo sustenido (𝄪) ou duplo bemol (𝄫), que mudam a altura um tom inteiro.
Estas duplas alterações têm um sentido teórico importante para compreender o papel de um acorde ou de uma escala dentro de uma tonalidade.
Os duplos sustenidos elevam um tom. Os duplos bemóis baixam um tom.
Teclado interativo
Clique numa tecla para ver os seus nomes naturais, sustenidos ou bemóis. As teclas negras revelam os gémeos enarmónicos.
Pressione uma tecla para iniciar a exploração.
Sobre as armaduras de clave
As armaduras de clave complicam as coisas? Há uma forma mais simples? É um tema muito debatido.
A armadura de clave aparece logo após a clave na pauta. Mostra os sustenidos ou bemóis constantes da peça. Se não houver nada, todas as notas são naturais.
A clave e a armadura são os únicos símbolos que aparecem em cada pauta. São o fundamento: a clave dá a altura de base, a armadura define a tonalidade global.
A armadura aplica-se a todas as oitavas de uma nota em toda a obra, a menos que uma alteração acidental no compasso a mude temporariamente.
Exemplo: Se há um ♭ na linha do Si, todos os Si são Si♭ a menos que um bequadro os anule.
As alterações escrevem-se numa ordem fixa baseada no círculo de quintas.
Ordem dos sustenidos (♯): Fá, Dó, Sol, Ré, Lá, Mi, Si
Ordem dos bemóis (♭): Si, Mi, Lá, Ré, Sol, Dó, Fá
Uma tonalidade com um bemol tem o Si♭ (Fá maior). Dois bemóis têm Si♭ e Mi♭.
Para encontrar a tonalidade maior: com sustenidos, sobe-se um semitom desde o último sustenido. Com bemóis, a tonalidade corresponde ao penúltimo bemol.
Aprenda as exceções: Dó maior (nenhum) e Fá maior (um bemol).
Referências: Dó maior = nenhum sinal. Fá maior = um bemol.
As tonalidades menores partilham a mesma armadura que a sua relativa maior (ex. Lá menor e Dó maior). O acorde final da peça costuma indicar a tonalidade.
Explorador de armaduras
Escolha uma tonalidade maior — a pauta atualiza-se e os sustenidos/bemóis aparecem na ordem correta.
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A enarmonia*
Na notação clássica qualquer nota pode ser alterada. Um sustenido sobe um semitom; um bemol baixa um semitom.
Por que este sistema? A oitava tem doze semitons. Dar letras diferentes a cada som (de A a L) seria complexo porque a música baseia-se em sete notas por escala.
Utilizamos sete nomes (Lá, Si, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol) e as alterações permitem-nos alcançar as doze alturas.
A nota entre Ré e Mi pode escrever-se Ré♯ ou Mi♭: o som no piano é idêntico.
Ré♯ e Mi♭ escrevem-se de maneira diferente mas correspondem à mesma tecla do piano.
Isto chama-se enarmonia: duas notas com som igual mas nomes e grafias diferentes.
Troca enarmónica
A mesma tecla de piano — mas com dois nomes e posições na pauta diferentes.
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D♯ e E♭ são enarmónicos: mesmo som, nomes e posições na pauta diferentes.
Tonalidades e escalas enarmónicas
As escalas também podem ser enarmónicas. Quer toques em Ré♯ maior ou em Mi♭ maior, pisas as mesmas teclas do piano. Mas escrever em Ré♯ maior é muito difícil de ler (¡9 sustenidos!), enquanto Mi♭ maior é comum. Em alguns instrumentos, também pode haver ligeiras variações de som.
Mi♭ maior e Ré♯ maior usam as mesmas teclas mas escrevem-se de forma muito diferente.
Dado que os intervalos coincidem, Ré♯ maior e Mi♭ maior são tonalidades enarmónicas.
Intervalos e acordes enarmónicos
A ortografia dos acordes indica a sua função. Um acorde de Dó♯ maior comunica um papel diferente do de um de Ré♭ maior numa tonalidade dada.
Para praticar, consulte Intervalos, Nomes dos acordes e Análise harmónica.
Enarmonia e temperamento igual
Todos estes conceitos baseiam-se no temperamento igual, o sistema moderno no qual o semitom é uniforme. Isto faz com que as notas enarmónicas coincidam exatamente.
No entanto, as vozes e os instrumentos de arco (violinos, trombones) muitas vezes desviam-se do temperamento igual para tocar com a afinação justa. Nesses casos, Ré♯ e Mi♭ podem ter frequências levemente diferentes.
Muitas tradições musicais não ocidentais não usam o temperamento igual. Para saber mais, consulte Sistemas de afinação.